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No quadro da comemoração do Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina (MGF), assinalado anualmente a 6 de fevereiro, teve lugar, nessa data, na Mediateca do Campus do Palmarejo Grande da Universidade de Cabo Verde (UNI-CV), uma roda de conversa dedicada à temática da MGF. A iniciativa teve como propósito promover um espaço de diálogo e reflexão entre estudantes, docentes e a comunidade académica, visando a informação, sensibilização e reforço das ações de prevenção desta prática.

A atividade integra o Projeto “MGF – Conhecer e capacitar para melhor intervir”, desenvolvido no âmbito de uma parceria entre o Centro de Investigação e Formação em Género e Família (CIGEF) da UNI-CV e a Alta Autoridade para a Imigração (AAI), com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP).

A sessão teve início com as palavras de boas-vindas proferidas pela Presidente do CIGEF, Carmelita Silva, que salientou o papel estratégico das instituições de ensino superior na abordagem e combate à MGF, e apresentou algumas das intervenções já realizadas nesta área, em conformidade com os referenciais e normativas internacionais.

A mesa de abertura contou com a presença de Carmem Barros, Presidente da Alta Autoridade para a Imigração, Cristina Ferreira, representante do FNUAP, e Fátima Fernandes, em representação da Reitoria da UNI-CV. As intervenções introdutórias alertaram para a necessidade de se promover o debate em torno da MGF em Cabo Verde, tendo em conta que se trata de uma prática presente, direta ou indiretamente, em diversos países, e foi, igualmente, sublinhada a complexidade e sensibilidade da temática, bem como o seu enquadramento legal enquanto crime público, passível de denúncia por qualquer cidadão.

A Presidente da AAI enfatizou a importância de uma abordagem assente na compreensão da MGF a partir da perspetiva das pessoas sobreviventes, defendendo a adoção de práticas discursivas e institucionais isentas de generalizações, preconceitos, estigmatizações ou culpabilizações.

Por seu turno, a representante do FNUAP destacou a elevada preocupação da instituição relativamente a esta problemática, referindo dados da UNICEF que indicam que cerca de dois milhões de crianças, com menos de cinco anos, continuam a ser submetidas à prática da MGF. Reforçou, ainda, a relevância do acesso à informação qualificada e atualizada como elemento central para o desenvolvimento de estratégias eficazes de prevenção e combate à MGF.

A moderação e dinamização da roda de conversa esteve a cargo da Professora Clementina Furtado, que promoveu uma participação ativa dos presentes, fomentando o debate e a troca de experiências. Ao longo da sessão, foram abordados diversos aspetos fundamentais relacionados com a MGF, designadamente as suas causas, consequências, tipologias, prevalência, estratégias de prevenção e combate, bem como o papel da academia na produção de conhecimento e no reforço das ações de intervenção nesta área.